Pinguins Assumidos

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Ontem eu passeava tediosamente pelos canais de TV quando me deparei com Buddy e Pedro, dois pinguins machos fofíssimos – como todos eles costumam ser – que assumiram um relacionamento. Isso mesmo. A repórter do Discovery, uma morena de lábios avantajados e penteado cafona, filmava direto da casa do casal apaixonado, o Zoológico de Toronto, no Canadá, revelando todos os detalhes da relação através de vários depoimentos. As pessoas próximas afirmavam que os dois eram inseparáveis e que já tinham recebido o apelido de Brokeback Ice. Um biólogo barbudo e pançudo esclarecia que é comum entre os animais dessa espécie que um macho e uma fêmea fiquem juntos e acasalem pelo resto da vida, dividam o mesmo ninho, cuidem dos filhotes e façam tudo que os pinguins costumam fazer até que a morte os separe, explanou também que não tão raro surgiam casos de alguns animais que saiam do armário e assumiam relacionamentos homoafetivos e continuavam sendo aceitos pela colônia. Ou seja, os pinguins estão pouco se lixando para o que o vizinho ao lado anda fazendo entre as suas quadro paredes de gelo.

Movido pela curiosidade fui adiante, fiz algumas pesquisas na internet e acabei confirmando que Buddy e Pedro realmente não estavam desafiando nenhuma convenção da natureza, existem outros casais de pinguins gays por aí, além de outros espécies de animais, são tigres, leopardos, patos, macacos e, sem trocadilhos, até veados homossexuais. Ou seja, Noé não trouxe só bichos na arca, teve muita bicha nesse cruzeiro da salvação.

No desenrolar da reportagem um outro especialista no assunto, este um magricela pendurado em um par de óculos redondos, declarou que a homossexualidade no reino animal parte do entendimento que o acasalamento não necessariamente têm a ver com reprodução.

A notícia triste é que Buddy e Pedro terminaram. Não foi por causa de um perfil secreto no Tinder, nem porque eles perceberam que a relação havia esfriado ou foram surpreendidos pelo retorno de um ex amor que  havia migrado de férias para o Brasil. Nada disso. Nós, os gays humanos que somos assim, cuidamos das nossas relações com o temor do fim, estamos sempre roçando o precipício por causa do ciúme e do ego, isso sem contar que na nossa “colônia” todo mundo fiscaliza com quem o outro anda acasalando. Os pinguins se preocupam apenas em ser companheiros, esquentar um ao outro no frio e dividir sardinhas. Uma vida simples, longeva e bela.

Enfim, voltando para o canal 71, o que aconteceu foi que cuidadores do zoológico optaram por separar os dois bichinhos, e o motivo foi simples: procriação. Pasmem. Eu não sou nenhum geneticista de Harvard, mas imagino que uma inseminação seria o suficiente para resolver o caso sem destruir uma linda história de amor.

No fim, fiquei com a sensação que nós gays, machos ou fêmeas, só queremos encontrar o nosso par pinguim para acasalar, dividir o mesmo ninho, cuidar dos nossos filhotes e fazer todas as coisas que os pinguins fazem até a morte chegar. O problema é que sempre haverá alguém – ou muitos “alguéns”- para tentar nos separar com a alegação que estamos nesse mundo muito mais para procriar que para amar.

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